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Sinto Tudo Sinto muito ter escapado.Sinto muito ter deixado para trás mais um olhar, mais um homem, mais um encanto inesperado. Sinto muito que todas as manhãs me apeteça dormir mais vinte muitos, e que todos os dias fume um cigarro depois das refeições. Sinto muito, mais do que qualquer pessoa, que agora tenha de matar mais um momento. Mais um acontecimento. Mais um sofrimento. Sinto muito ter tirado 18 e não um 20, ter dormido com meias nos pés e ter acordado sem sentir os dedos. Sinto muito ter abandonado os meu amigos, ter dito que sou uma homem com cara de mulher. Sinto muito ter feito esperar o tempo, ter desperdiçado a energia e ter cortado os pulsos. Sinto muito o facto de ter fumado um charro pela manhã e de ter vontade de fumar outro pela tarde. Sinto muito o facto de gostar de beber até cair, até adormecer. Sinto muito ser uma sonhadora inveterada, mais uma pessoa no meio de tantas outras. Sinto muito ser uma anormalóide. Sinto muito o facto deste texto ser uma merda. Sinto muito não me saber expressar, não gostar de frases feitas nem de gente burra. Sinto muito ser arrogante e cínica. Sinto muito se acham que também sou hipócrita e malcriada. Sinto muito que quase ninguém me conheça, que quase toda a gente se rie da minha insensatez... Mas apesar de tudo, ainda bem que não “Sentimos muito a tua falta, RIP L. Reyes” por Lolita * 13:51 quinta-feira, 8 de maio de 2008 ___________________ 0 commentsMonstros Se eu pudesse ter tempo para pensar em tudo o que me passa pela cabeça, simplesmente não estaria aqui. Hoje era cedo quando acordei e o sorriso que me atingiu foi tão ingénuo que tive vontade de me esconder. Não havia razão, simplesmente nunca há razão. Mas sempre tive a ideia de que dentro do guarda-fatos alguém me espiava. Seriam monstros, homens, violadores, príncipes encantados. Não interessa, morria de medo todas noites em que me quis levantar e ir até à casa de banho. Porque nem sempre é fácil encarar a escuridão de uma casa, muito menos quando todo o vazio que nos rodeia tem o dobro da nossa altura. Porém, ainda esta noite me resguardei desse frio intenso. Ainda esta noite tive medo do que pudesse estar dentro do guarda-fatos. Não interessa. Na verdade nunca interessa nada, muito menos aquilo que uma criança pensa.E hoje em que o dia anoitece sinto-me infantil ao esconder a cabeça debaixo dos lençóis. Não me digam que é da minha imaginação. Consigo ouvir claramente o som das unhas a passarem através daquela porta. Consigo perfeitamente entender que não estou sozinha neste quarto. Sei-o pelos passos que caminham indubitavelmente até ao corredor. Quando era criança ao menos tinha uma certeza. O rosto desfigurado pertencia ao meu pai e os passos à minha mãe. Tantas vezes o monstro dentro do guarda-fatos foram aqueles olhos alcoólicos que hoje os príncipes me parecem menos encantados, mais reais. Ao passo que todas as noites o medo cresce. O medo enfurece. O medo embrutece. Poderia dizer que não faz grande sentido o que digo, mas estaria a mentir-me. É tão fácil quanto isto: não faço questão de pensar muito nas coisas, não vá um dia abrir a porta do guarda-fatos e encontrar um monstro verdadeiro. por Lolita * 16:45 domingo, 4 de maio de 2008 ___________________ 1 comments |